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Importância do cérebro
Encontro com a Neurocientista Raquel Gomes

Investigadora do Champalimaud Centre for the Unknown, sempre se interessou pela vida, pela biologia, e pelo funcionamento do cérebro. Começou por explicar aos alunos que os cientistas são muito curiosos, e que na Fundação Champalimaud trabalham muitos cientistas que procuram respostas. Como há sempre muitas perguntas, os investigadores estão constantemente a tentar descobrir coisas que não se sabem. E, sem dúvida, ser cientista é errar várias vezes, aprender com os erros e procurar a verdade.




Em seguida falou do cérebro, um dos órgãos mais sensíveis e importantes do nosso corpo, desafiando os alunos a pensarem sobre as suas funções. À medida que as ideias foram surgindo, foi apresentando imagens que ilustravam as seguintes funções: controlar o corpo, sentir emoções, correr riscos, imaginar coisas, guardar conhecimento, e aprender línguas, entre muitas outras capacidades.

E como é que a informação chega ao cérebro, como é que sabemos do mundo à nossa volta? A troca de ideias levou-os à conclusão que são os sentidos que levam a informação do mundo à nossa volta para o cérebro. Depois o cérebro interpreta essa informação e faz-nos reagir de acordo com o estímulo.




Dentro do cérebro existem células microscópicas: os neurónios, que são como peças de Lego que constroem o nosso cérebro. Têm um núcleo onde está o ADN e um ou vários axónios, que lhes permitem ligar-se uns aos outros e fazer passar a informação.

Para ilustrar esta situação escolheu um grupo de voluntários, colocou-os numa linha e posicionou-se no meio deles. Pediu-lhes que dessem as mãos e segredou uma instrução no ouvido dos que estavam ao seu lado. Pediu-lhes que passassem a informação da mesma maneira, sendo que o último deveria executar a ordem que recebesse. A primeira informação foi bater o pé direito três vezes, que os alunos conseguiram realizar, mostrando como é feita a passagem de informação desde o cérebro até aos músculos, em que cada aluno representava um neurónio e as mãos dadas os axónios.




Seguidamente fez outra experiência: escolheu outro aluno e pediu-lhe para tentar acertar com algumas bolas num cesto que estava no chão. Sem grande dificuldade, o aluno superou o desafio. Aumentou o grau de dificuldade do desafio quando lhe pediu que repetisse o exercício usando uns óculos especiais. Observaram que o aluno quando atirava a bola procurava acertar num cesto que estaria numa posição mais à esquerda da realidade e consoante ia fazendo tentativas ia ajustando a trajetória da bola lançada, até conseguir acertar. Repetiu estes exercícios com outro aluno e o resultado foi semelhante. A investigadora pediu que os restantes observassem como cientistas, que não julgassem, mas que tentassem perceber o que tinha mudado e como estava a afetar a pontaria do aluno. Então explicou que o cérebro foi adaptando e compensando a informação que os olhos transmitiam, à medida que iam fazendo mais lançamentos.



Ainda houve tempo para apresentar alguns materiais de estudo. Passou aos alunos uns tubos de ensaio com seres vivos dentro. Perguntou o que viam dentro do tubo, e os alunos responderam “bichos”, “bichos com asas”, “larvas”. Perguntou o que estavam a fazer então esses “bichos”. Depois de algum tempo de observação, explicou: podemos encontrar estes seres vivos nas nossas cozinhas e no mercado - são moscas da fruta. No fundo do tubo encontra-se comida para as moscas, fruta e outros alimentos triturados. Estas moscas são utilizadas em vários estudos para se perceber melhor os mecanismos de tomada de decisão que ocorrem no cérebro, e que mesmo sendo moscas, o funcionamento do seu cérebro tem algumas semelhanças com o cérebro humano. Nos laboratórios da Fundação usam moscas da fruta para estudar as escolhas alimentares, comer fruta ou comer carne, por exemplo.




Por fim, houve tempo para colocar algumas perguntas à investigadora sobre o seu trabalho, como é o dia a dia de um cientista, se a investigadora já teve algum problema grave em experiências, entre outras curiosidades que os alunos tinham. Em jeito de conclusão, a investigadora sublinhou que nós estamos sempre a aprender, que é importante ser sempre curioso e persistente. O cérebro é um órgão plástico que podemos desenvolver ao longo de toda a vida.

A sessão terminou com a visita aos laboratórios onde trabalham muitos dos investigadores da Fundação.






Escola Ciência Viva - Fundação Champalimaud
EB Adriano Correia de Oliveira e EB Padre Abel Varzim
1 de março de 2019


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