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Engenheiro Civil
Encontro com o engenheiro civil Luís Guerreiro


Esta semana esteve connosco Luís Guerreiro, Engenheiro Civil de Estruturas e Investigador em Engenharia Sísmica no Instituto Superior Técnico.
O investigador começou por perguntar aos alunos da Escola Ciência Viva se sabem o que é que os engenheiros civis fazem. Através de uma imagem de uma cidade os alunos chegaram à conclusão que estão presentes em variados campos. Desde à área da geotecnia (na construção de túneis, colocação de condutas, abertura de valas), da hidrologia (calcular e dimensionar a captação da água e como levá-la a cada casa), passando pelos resíduos (projetar a rede complexa de canais de esgotos, das diferentes origens até ao tratamento final) pela construção (habitações, aeroportos – onde a pista é devidamente estudada, estádios de futebol – bancadas têm de aguentar os saltos dos adeptos, etc.) e terminando na identificação, criação e gestão da rede de caminhos viários necessários para o correto funcionamento e fluidez da cidade.

O engenheiro tem de transformar em realidade o que o arquiteto imaginou. Tem de construir novos caminhos, imaginar novas formas de construir (usando drones por exemplo), testar novos materiais (mais leves por exemplo, plásticos e fibras de vidro), perceber os materiais antigos, etc. Exemplo disso é a gaiola pombalina, considerada o primeiro exemplo de construção para resistir aos sismos, utilizada nas casas construídas depois do terramoto de 1755. Estando Lisboa numa zona sísmica estas construções foram pioneiras.

Um dos problemas dos sismos é que põem as nossas casas a vibrar e essa vibração é demasiado forte, acabando por desmoronarem. Hoje em dia, novas soluções são estudadas, colocando as nossas estruturas em cima duma camada, com isolamento de base, que sirva de elástico ao movimento lateral de mais ou menos 20cm, trazendo no final do sismo a casa ao sítio original. Um exemplo dessa construção em Portugal é o Hospital da Luz, que tem as suas fundações em cima de borrachas.

O problema maior são as diferentes canalizações, em que têm de ser pensadas soluções para que as ligações não partam; não quebrem, pois, os materiais utilizados ainda não têm flexibilidade suficiente para se moverem tanto. Acresce dizer que estas construções não podem ter construções ao lado, têm de ser isoladas.

No final da sessão o investigador respondeu a algumas perguntas dos alunos. À pergunta “Já fez uma ponte?”, o investigador respondeu que não, mas que já acompanhou a construção de algumas, nomeadamente como especialista de sismos no desenvolvimento de sistemas de absorção de energia na Ponte Vasco da Gama.

Outra pergunta foi se estudar estruturas é difícil, ao que o investigador respondeu que é preciso saber matemática e física. Referiu que o estudo de estruturas é das áreas mais difíceis da engenharia civil, e que é necessária uma boa preparação.

Os alunos perguntaram qual a principal diferença entre arquiteto e engenheiro civil. O arquiteto, explicou o investigador, preocupa-se em criar espaços, pensar quais são as funções das divisões e imaginar o espaço. Já o engenheiro civil tenta tornar o espaço em realidade, concretizando as ideias do arquiteto. Referiu também a importância de trabalhar em equipa, promovendo a interação para que nenhum limite a capacidade do outro.

Perguntaram se trabalha sozinho ou com mais pessoas, e a resposta foi que é dada muita importância ao trabalho de equipa e às reuniões para desenvolver um bom trabalho.

À pergunta “é muito difícil ser engenheiro civil?” o investigador explicou que desde que uma pessoa goste deixa de ser difícil e torna-se uma profissão gratificante.

Para finalizar quiseram saber se os projetos correm sempre bem, e ficaram a perceber que, na maior parte das vezes, os projetos terminam de forma positiva, mas pelo meio do processo podem existir alguns problemas e complicações.




Escola Ciência Viva - Pavilhão do Conhecimento
EB Luíza Neto Jorge e EB Parque das Nações
25 de janeiro de 2019