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Geologia
Encontro com o geólogo João Duarte


Os alunos da Escola Ciência Viva foram ao Instituto D. Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para a sessão do “Encontro com o Cientista” com o geólogo João Duarte. Com a curiosidade “à flor da pele” foram colocando as suas questões, às quais o investigador respondeu, aproveitando para acrescentar informação pertinente.

Quando questionado sobre o que faz um geólogo, o investigador respondeu que muitos dos cientistas continuam a ser crianças quando crescem… São curiosos e querem perceber porque é que as coisas funcionam e como funcionam.



Os geólogos estudam as rochas e como estas se formam. Sim, as rochas ainda hoje se formam! Há rochas de origem vulcânica a formarem-se todos os dias. Estudam fósseis para conhecer a vida que existiu no passado. Estudam os vulcões... Estudam os minerais… As rochas são constituídas por minerais. Por exemplo, um granito tem várias cores que correspondem a diferentes minerais.

O geólogo estuda uma rocha muito, muito grande que é o planeta Terra. Os geólogos antigamente só estudavam as rochas nas áreas onde viviam. Agora conseguem estudar as rochas em todo o planeta e também noutros planetas. Neste momento já sabemos que também existiram vulcões em Marte e que o vulcão do Monte Olimpo de Marte é um dos maiores do sistema solar.

Explicou que os cientistas, para além de serem curiosos, conseguem ler nas várias camadas da Terra e assim compreender a evolução do planeta ao longo dos tempos.





Também disse que o planeta Terra é um grande puzzle, formado por várias placas, que se mexem e chocam umas com as outras, causando alterações nas formas de relevo do planeta, tsunamis ou vulcões.



Num pequeno vídeo viram a distribuição dos sismos no nosso planeta e onde ocorrem com maior frequência, locais que coincidem com os limites das placas tectónicas. De seguida, o investigador apresentou outro filme em que observaram uma simulação do tsunami ocorrido com o Terramoto de 1755, que afetou parte de Portugal, em particular a cidade de Lisboa.

À pergunta se a Terra está a mexer e como, João Duarte explicou que o interior da Terra é quente e que o calor gera correntes de convecção no manto (uma das camadas da Terra), levando ao movimento das placas tectónicas.





Este movimento é contínuo e causa aproximação ou afastamento das placas, a um ritmo muito lento para os nossos olhos, mas que, com o passar dos anos, deixa marcas no relevo. Foi o que de seguida observaram: a falha geológica (ou tectónica) da Finlândia.



Este foi o mote para explicar que o planeta Terra nem sempre foi como nós o conhecemos atualmente, ou seja, que já existiu um “supercontinente” que se começou a partir há cerca de 200 milhões de anos. Isto significa que, no período jurássico, os dinossauros conseguiam circular entre a Europa e América e, por isso, os fósseis encontrados nos dois continentes são iguais.




Dinossauros é sempre um assunto de interesse para as crianças, tendo surgido a curiosidade sobre o motivo do seu desaparecimento, ao que o investigador explicou que não há certezas, mas existem várias teorias.

Julga-se que os dinossauros que se extinguiram eram muito grandes e, como tal, precisavam de muita comida. Pensando que possa ter ocorrido uma catástrofe, acredita-se que a dificuldade em obter comida terá aumentado e causado a morte de muitos seres vivos e a sobrevivência daqueles que estavam mais adaptados à nova realidade.

Várias razões podem ser evocadas para a dita catástrofe, nomeadamente a queda de um meteorito ou uma grande atividade vulcânica, com consequências sobre a vida na Terra. Qualquer uma destas situações teria provocado um enorme aumento de poeira na atmosfera, dificultando a passagem dos raios de Sol e impedindo as plantas de se desenvolverem naturalmente, desencadeando uma reação em cadeia. A escassez de grandes quantidades de alimento para os dinossauros herbívoros causou a sua morte, provocando em seguida a morte dos carnívoros.

Não se sabe ao certo como começou, mas acredita-se que este período terá sido acompanhado por uma forte atividade vulcânica, com implicações ao nível da atmosfera e da crosta terrestre.

Este foi o mote para mais algumas perguntas, das quais destacamos a seguinte:

Um cientista está sempre preparado para o que acontece no laboratório?

Estamos muito preparados porque existem muitas regras que contribuem para a nossa segurança, mas também temos de estar precavidos para as coisas imprevisíveis e para todo o tipo de resultados. Muitas vezes, são as situações inesperadas que nos levam a outras perguntas, a novos caminhos e a outras descobertas.




De seguida o grupo foi separado em dois e seguiram para experiências diferenciadas. Numa das salas estiveram com o Guilherme, um investigador de sismologia, que lhes falou mais pormenorizadamente sobre o Terramoto de 1755 e sobre algumas medidas de segurança, como a existência de um Kit de emergência preparado, com água, rádio e comida enlatada e de estratégias de proteção. Nesta sala puderam experienciar uma situação de vibração do solo com diferentes intensidades num simulador de sismos e pôr em prática as 3 regras: baixar, proteger e aguardar.



Noutra sala, Pedro Costa professor e investigador falou-nos sobre os diferentes tipos de rochas explicando que podem ter 3 origens: rochas ígneas ou magmáticas, tem origem na solidificação do magma; rochas metamórficas, resultam da transformação da rocha original submetida a pressões intensas ou temperaturas elevadas; e rochas sedimentares constituídas por sedimentos de material mineral e orgânico que se vão aglomerando.

Disse também que os minerais que compõem as rochas determinam o tipo de rochas e que, dependendo do tamanho dos grãos da areia, podemos descobrir a sua origem.






Escola Ciência Viva - Faculdade de Ciências
EB Quinta dos Frades e EB Arq.º Victor Palla
1 de fevereiro de 2019


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