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Fomos ao zoo sem sair da escola!
Encontro com o biólogo Tiago Carrilho

Biólogo e educador no Jardim Zoológico de Lisboa, Tiago Carrilho veio até à Escola Ciência Viva falar sobre o que significa ser biólogo, dar a conhecer a missão e os objetivos do local onde trabalha e levar os alunos numa visita virtual ao Zoo de Lisboa.




Explicou que um biólogo estuda a vida: animais, plantas, … e até micróbios. O Tiago escolheu ser biólogo aos 8 anos porque sempre foi apaixonado pela natureza. Começou por fazer investigação sobre osgas, nas ilhas selvagens, no entanto, apesar de gostar de fazer investigação percebeu que gostava ainda mais de ensinar sobre biologia. E assim começou o seu trabalho como educador no Zoo de Lisboa.

Questionou os presentes sobre a utilidade de um jardim zoológico. De seguida, esclareceu que nos jardins zoológicos é possível observar e ficar a conhecer espécies que não vivem nas nossas florestas. Por outro lado, os zoos também têm como missão proteger os animais que estão em vias de extinção, contribuindo para a sua preservação, para além de conhecer e ensinar!

No entanto, nem sempre foi assim, os zoos foram inicialmente criados como coleções de animais, para que reis e imperadores pudessem mostrar o seu poder; a sua influência. Mais tarde, surgiram os primeiros zoos com missão científica e cultural em que apenas artistas e cientistas tinham acesso.
O Zoo de Lisboa é o 4.º mais antigo do mundo, com 132 anos. Os três primeiros surgiram em: Viena, Paris e Londres.
Na altura da criação do Zoo, as instalações criadas para os animais tinham como objetivo agradar ao visitante e não havia preocupações com o bem-estar dos animais. As instalações eram feitas em cimento e azulejos, facilitando a sua limpeza. Para garantir a segurança dos visitantes todas as instalações estavam protegidas com grades e não havia vegetação para que os animais fossem sempre visíveis.




Hoje em dia o Zoo tem vindo a ser reformulado, sendo que a preocupação principal passou a ser o bem-estar dos animais. Há um cuidado em fazer enriquecimento ambiental, ou seja, procura-se melhorar o ambiente envolvente quer com vegetação, quer com equipamentos que permitam aos animais preservar comportamentos selvagens. Para além disso, com o aumento do conhecimento das diferentes espécies, também tem sido possível criar outro tipo de barreiras, como por exemplo, lagos em detrimento de gradeamentos. Igualmente se percebeu que algumas espécies podem partilhar o espaço com outras, porque essa é a realidade na natureza, no entanto, nas mesmas instalações não se pode juntar presa com predador!
Na natureza a comida não aparece de bandeja aos animais e, de forma a conservar os seus instintos, os tratadores escondem a comida em locais diferentes e preparam desafios para que os animais a consigam alcançar.

Depois desta apresentação chegou o momento de visitar o zoo sem sair do lugar! O investigador fez uma ligação skype para o colega Diogo, que estava no Jardim Zoológico e que conduziu os pequenos cientistas numa visita virtual.




Nesta visita os alunos fizeram muitas perguntas e ficaram a conhecer mais sobre alguns animais:

Zebra –O que come? Erva, porque pertence ao grupo dos herbívoros. No Zoo também comem feno porque tem muitos nutrientes e é muito saudável.
As suas riscas servem para camuflagem, como vivem em grupos muito grandes na savana, as riscas servem para baralhar os predadores que assim têm mais dificuldade em capturá-las. As riscas também servem como identificação, tal como se fosse uma impressão digital e as zebras conseguem distinguir-se umas das outras pelas riscas. As zebras são pretas com riscas brancas ou brancas com as riscas pretas?
Se olharem para a barriga da zebra veem que é branca e, por esta razão, dizemos que a zebra é branca com riscas pretas.






Tigre-O que tem o tigre a cobrir o corpo? Pelos.
O tigre é vivíparo, ou seja, nasce da barriga da mãe e inicialmente alimenta-se de leite sendo por isso classificado como mamífero.
Quando os tigres são alimentados, o tratador esconde a carne para ele ter de a procurar usando o olfato e assim estimulam alguns comportamentos naturais do animal.
Nas instalações existem troncos e plataformas que servem para os tigres fazerem exercício e também para poderem dormir longe dos olhares dos visitantes. Eles passam muito tempo do seu dia a dormir, cerca de 16 horas.
Mesmo que estejam a dormir, por questões de segurança, os tratadores só entram para as instalações quando os tigres não estão.




Suricatas-Estes animais vivem sempre em grupos familiares em que cada um tem uma função específica, que pode ser: procura da comida, tomar conta das crias, vigia (colocam-se na vertical com as patas no ar) ou construir túneis para se protegerem dos predadores. Os suricatas têm uma mancha preta nos olhos que protege do sol; funciona como uns óculos de sol. Os suricatas mordem? Sim porque têm dentes e são muitos. A dentição dos suricatas é semelhante à nossa mas têm alguns dentes mais afiados porque comem alimentos mais difíceis de rasgar como serpentes, escorpiões, insetos, etc.
Na altura da alimentação os suricatas também têm desafios, os tratadores escondem na areia um saco com comida para que tenham de escavar.




Girafas-É o animal mais alto, tem um pescoço muito grande e uma língua muito comprida, com cerca de 40 cm. Com a língua puxam os troncos e comem as folhas dos ramos mais altos .




Elefantes– Nas instalações dos elefantes foi possível observar 6 espécimes e muita agitação, isto porque o macho, que habitualmente está sozinho, foi colocando junto das fêmeas. O propósito foi para que o elefante acasale com as fêmeas e, assim, nasçam mais crias, isto é, que se reproduza. O que comem os elefantes? São herbívoros e por isso no Zoo comem feno, em muita quantidade, ou seja, cerca de 90 kg por dia cada um!
Como bebem água? A tromba serve para respirar como o nariz. Mas, ele também usa a tromba como uma palhinha: enche-a de água e depois coloca-a na boca. A comida é levada até a boca de igual modo.
Porque é que os elefantes estão a desaparecer? Porque os caçadores vão até à savana matar os elefantes para tirar os dentes que, no caso dos elefantes, são feitos de marfim. O que as pessoas podem fazer para ajudar e contribuir para a preservação da espécie é não comprar marfim e assim os caçadores deixam de matar os elefantes.




Flamingos – Os flamingos são aves e têm o corpo coberto de penas, têm um bico e a reprodução é feita através de ovos (ovíparos). Nesta época (início da primavera) é altura da reprodução e por isso eles estão a construir os ninhos. Os flamingos andam à solta, não tem uma rede por cima, no entanto para não fugirem para longe, quando são mais pequenos, cortam-lhes as penas das asas para não voarem.
Porque é que encolhem uma das patas? Como vivem nos estuários têm sempre água à volta, assim só têm uma pata molhada de cada vez. Por outro lado, também funciona como posição de descanso. As patas longas servem para estar dentro de água sem molhar as penas. O pescoço é comprido para conseguirem tirar a comida da água. Os camarões fazem parte da sua dieta alimentar e, por isso, as penas têm esta cor avermelhada, porque nascem brancas.


A visita skype terminou com os flamingos, mas os alunos ainda tinham muitas perguntas para fazer.

Depois desta visita ficaram a perceber algumas estratégias que os tratadores usam para preservar os comportamentos selvagens. No entanto, também é desejável que os animais se reproduzam em cativeiro, de modo a preservar a espécie.
No Zoo há pinguins e apesar de terem condições muito semelhantes ao seu habitat natural, durante muito tempo eles não puseram ovos. Os biólogos que os estudaram perceberam que, apesar das condições existentes, cada casal tinha de ter uma gruta só para si. Quando construíram grutas suficientes, separaram-nos e eles começaram a pôr ovos.
Esta espécie de pinguins tem um ritual muito engraçado: cada macho oferece à fêmea uma pedra e acasalam para a vida.

O Zoo de Lisboa faz parte de associações como a EAZA (European Association of zoos and aquaria - http://www.eaza.net/) onde há colaboração com outros zoos para proteger as espécies ameaçadas, garantido a sua reprodução e, também quando possível, a sua reintrodução na natureza. O leopardo da Pérsia foi um exemplo de sucesso que teve a colaboração do zoo de Lisboa. Um casal de leopardos foi reintroduzido na Rússia depois de ter tido 9 crias no zoo.

O Tiago despediu-se explicando-nos que para além de todo o trabalho que é realizado no Zoo para conhecer e proteger as espécies selvagens, são também as sessões como as de hoje que permitem consciencializar os mais novos para a importância da biodiversidade e, de alguma forma, garantir que todos temos um futuro mais sustentável, sem esquecer a natureza!


Escola Ciência Viva - Pavilhão do Conhecimento
EB Alexandro Herculano e EB Moinhos do Restelo
31 de março de 2017


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