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Vida de peixe
Encontro com as biólogas Susana França e Vera Sequeira

As investigadoras Susana França e Vera Sequeira vieram à Escola Ciência Viva falar sobre o trabalho de investigação que fazem no MARE.




Os biólogos marinhos fazem trabalho de campo mas também de laboratório, para estudar a vida marinha é necessário ir até ao mar, o que muitas vezes envolve viagens de barco, mergulho e/ou pesca.




A Susana é bióloga há 15 anos e trabalha com peixes de estuário.
O estuário é onde a água doce do rio se junta com a água salgada do mar, nestas zonas há peixes muito importantes em termos piscatórios.

Os linguados, por exemplo, são uma espécie que utiliza os estuários como berçário. Nos estuários há peixes bebés de algumas espécies como o Robalo e Linguado. Eles nascem no mar e depois migram para o estuário para crescer. Normalmente ficam lá cerca de 3 anos. O estuário é importante para estas espécies porque lhes fornece alimento e proteção devido ao grande número de esconderijos.




A investigadora Susana estuda também os estuários em si, ou seja estuda os diferentes habitats que lá existem. O Intertidal, Sapal, Subtidal e Fanerogâmicas são habitats do estuário, funcionam como pequenas peças que compõem o puzzle do estuário.

Explicando melhor:

  • O Intertidal é a zona que fica à descoberto com a maré baixa… A lama que lá existe é muito importante porque é onde se encontra a comida para os peixes bebés.


  • Sapal é um canal do estuário que tem muitas plantas na margem e que permite que os peixes tenham muitos esconderijos.


  • O Subtidal é um habitat que fica sempre por baixo de água.


  • As Fanerogâmicas são plantas muito compridas que ficam quase sempre debaixo de água e por esta razão são bons esconderijos para os peixes, no entanto, são muito frágeis. Por esta razão, este habitat poderá rapidamente desaparecer se não for feita uma intervenção estudada por biólogos, que podem contribuir para a sua conservação.


  • Voltando ao estuário, explicaram-nos que para além das espécies que utilizam o estuário como berçário, também existem aquelas que são residentes e que completam o seu ciclo de vida no estuário, como o Gobio e o Xaroco. Há ainda peixes migradores que não vivem no estuário mas têm de o atravessar como as Enguias e a Lampreia (que tem a boca cheia de dentes, que se prendem aos outros animais e sugam o seu sangue).

    Os macroinvertebrados bentónicos, onde se incluem os caranguejos também são muito importantes para o funcionamento dos estuários uma vez que servem de alimento para os peixes.

    A investigadora Vera também trabalha com peixes, mas estuda as espécies que são pescadas nas nossas águas. Parte da sua investigação implica fazer deslocações regulares à lota e aos portos para analisar e medir os peixes que são pescados pelos pescadores.

    A Vera também estuda espécies de peixes mais pequenos e que não têm interesse comercial, mas são importantes porque servem de alimento às espécies maiores, como a Mini-saia. Para apanhar estes e outros peixes têm de ir para o mar com os pescadores, que utilizam redes especiais para os capturar.
    Tanto os peixes da lota, como os da pesca são levados para o laboratório onde vão ser analisados.

    Em laboratório os peixes são abertos para determinar o seu género. Só abrindo os peixes e olhando para as estruturas reprodutoras (gónadas) é que podemos determinar o seu género. Se as gónadas forem rosadas são fêmeas, se forem brancas, machos.




    Em laboratório utilizam-se microscópios e lupas para estudar a reprodução dos peixes, pois é possível observar ao microscópio as células reprodutoras (óvulos e espermatozóides) ou para determinar a sua alimentação, sendo necessário analisar à lupa os conteúdos estomacais e assim perceber a seu tipo de alimentação.

    É possível saber a idade dos peixes através das escamas, espinhos, vértebras e otólitos.

    Os otólitos são estruturas que existem dentro da cabeça dos peixes, nas quais se depositam anéis com bandas translúcidas e bandas opacas, o conjunto destas duas bandas corresponde a 1 ano de vida.





    Apresentadas as ferramentas e as regras de trabalho os alunos colocaram as mão na massa.





    Como base numa ficha, trazida pelas investigadoras, tiveram de identificar o peixe que estavam a estudar e localizar as diferentes barbatanas (dorsal, caudal, anal, peitoral e pélvicas). De seguida, abriram o peixe para identificar os diferentes órgãos e determinar o género. Retirar os otólitos, embora uma tarefa complicada, foi conseguido por alguns grupos que depois puderam observá-los à lupa.

    Por fim, puderam observar ao microscópio preparações de células reprodutoras dos peixes.




    Escola Ciência Viva - Pavilhão do Conhecimento
    EB Vasco da Gama e EB O Leão de Arroios
    19 de maio de 2017


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