banner
Vastidão do espaço
Encontro com o astrofísico Rui Agostinho

O astrofísico, Rui Agostinho, recebeu-nos num auditório da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e deu início ao encontro elencando os espaços da faculdade, como os anfiteatros, as salas de aulas, os laboratórios e os gabinetes. De seguida referiu que é possível estudar diferentes áreas nesta casa das ciências: biologia, química, matemática, física, estatística, computação...




O desenrolar dos acontecimentos organizou-se de acordo com as dúvidas e questões dos alunos. Por esta razão, Rui Agostinho iniciou a sua apresentação com uma célebre imagem: Saturno, pois pretendeu responder a uma das questões levantada. Os alunos facilmente descobriram de que planeta se tratava, não fossem os seus célebres anéis e logo questionaram o motivo de existirem intervalos entre eles. São as muitas luas existentes por entre os anéis de Saturno a razão destes “intervalos”.




“Serão as luas de Saturno redondas?” Ficámos a saber que para uma lua ser redonda tem de ter muita massa e, logo, muita força gravitacional. As luas de Saturno não são portanto redondas, dado que a sua força gravítica não será forte o suficiente para as tornar esféricas.

Um dos alunos questionou: “Dá para nos sentarmos nos anéis de Saturno?”. Ora, se conseguíssemos ir até Saturno andaríamos, tal como as rochas e outros sedimentos, à volta do planeta, não nos seria possível sentarmo-nos dado que são esses materiais que constituem os anéis de Saturno.

O tema dos buracos negros não ficou de fora neste encontro. Suscitou imenso interesse por parte dos alunos. Foi, inclusive, indagado “Por que é que quando uma nave espacial atravessa um buraco negro fica esparguetificada?” Ao que respondeu que, segundo a teoria da esparguetificação, os objetos quando chegam a uma determinada distância do campo gravitacional de um buraco negro são tão esticados devido à força exercida por este que se podem comparar a um fio de esparguete. “E o que aconteceria a um ser humano?” O nosso corpo não tem elasticidade para que isso fosse possível, pelo que morreríamos. Mas, caso nos aproximássemos de um buraco negro, a força exercida provocaria a esparguetificação do nosso corpo e, se estivéssemos deitados de pés para o buraco, estes desapareceriam.




“Mas como surgem os buracos negros?” Uma estrela no fim da sua vida, denomina-se por super nova e pode dar origem a uma estrela de neutrões ou a um buraco negro.

“Se o Sol se transformasse num buraco negro será que engoliria os planetas todos do sistema solar?” Imaginemos que o Sol se transformaria num buraco negro e que teria 100kg. De repente pegamos nesses 100kg e transformávamos numa bolinha, amassando bastante, até ficar um berlinde, o volume diminui mas a massa mantém-se, tal como a distância do núcleo às órbitas dos planetas. Será que sendo um buraco negro absorveria todos os planetas do sistema solar? Não havendo alteração de massa nem da distância do centro do Sol às órbitas dos planetas, a relação de forças mantém-se, ou seja, dado que a massa do Sol, agora buraco negro, não se altera tal como a distância, todos os planetas do sistema solar continuariam a orbitar à volta do buraco negro. Por outro lado, se o nosso Sol se transformasse em buraco negro deixaria de existir luz e calor deixando de existir vida no nosso planeta.

“E se aparecesse uma outra estrela a substituir o Sol ou se tivéssemos dois sóis?” Seria muito complicado porque se não fosse exactamente igual ao existente alteraria a órbita dos planetas e qualquer alteração faria com que deixássemos de estar na zona com condições para que exista vida, nomeadamente a água no estado líquido.




Outro facto que era desconhecido para a maioria, é que à distância a que estamos do Sol a temperatura média do planeta Terra deveria ser -18ºC, o planeta deveria estar congelado e só não estamos congelados à superfície porque a nossa atmosfera é rica em água, dióxido de carbono, oxigénio e metano. Foi esta combinação que permitiu a existência de atmosfera e como consequência possibilita a vida na Terra.

Na formação da nossa galáxia, a Via Láctea, criou-se um buraco negro gigante central que tem uma massa de 4 milhões de sóis. Mas será mesmo gigante? Comparado com outros de outras galáxias é pequeno não provocando grandes estragos. E como sabemos que existe e qual o tamanho de um buraco negro? Através das órbitas dos vários sóis existentes perto de um buraco negro e fazendo operações matemáticas para saber a sua massa.

Como é um asteroide por dentro? Para nos responder a esta questão Rui Agostinho precisou de nos contar a história do Sistema Solar, como se formaram os planetas. Para isso, fez-nos uma escala do tempo: instante 0 - big-bang, pouco tempo depois foi formada a nossa galáxia e passados 13 800 milhões de anos estamos nos dias de hoje e só 4 600 milhões de anos antes se formou o nosso Sistema Solar. E foi a força gravítica que juntou matéria e formou este Sistema Solar. Neste processo só uma milésima da matéria disponível foi utilizada para fazer os planetas sendo que a maior percentagem foi utilizada na formação de Júpiter.

Esta força gravítica começou a juntar as partículas fazendo-as maiores e as que não foram agregadas aos planetas continuam no espaço e são asteroides, formados por rocha ou ferro. Os asteroides que conseguem entrar na nossa atmosfera atingem milhares de graus e no caso de serem maioritariamente compostos por rocha desfazem-se. Os que são constituídos por ferro chegam ao solo calcinados, derretidos à superfície. “Como se conseguem as fotografias do espaço?” Usando um telescópio e uma máquina fotográfica ou mesmo a câmara de um telemóvel.




Nas fotografias, através da cor das estrelas, podemos também saber a sua temperatura. Esta associação é possível fazendo uma comparação com a classificação espectral. Assim, estrelas que apresentem cor azul são muito quentes, sendo a temperatura superficial cerca de 30 000ºC e estrelas de cor vermelha são mais frias com temperatura superficial inferior a 3 000ºC. A nossa estrela, o Sol, tem temperatura superficial de quase 6 000ºC e é amarela.

Assim, ficámos a saber que nem só a distância condiciona a vida num planeta, também o tipo de estrela. Ou seja, uma estrela que é azul, sendo muito quente, não é boa para a existência de vida pois emite luz ultra violeta. Este tipo de luz tem tanta energia que destruiria, por exemplo, as moléculas de água.




A sessão foi finalizada com uma visita guiada aos laboratórios de física e de química em que Rui Agostinho nos explicou a função de alguns aparelhos. Também fomos convidados a entrar numa sala em que estava a decorrer uma aula teórica na área da matemática e noutra aula prática em que os alunos estavam a fazer experiências. O investigador despediu-se no exterior do edíficio desejando-nos um bom trabalho.





Escola Ciência Viva - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
EB S. Vicente e EB Parque das Nações
9 de dezembro de 2016






Voltar