banner
Como viaja a luz?
Encontro com físico Pedro Brogueira

O físico Pedro Brogueira veio até à Escola Ciência Viva para um ”Encontro com o Cientista” cheio de experiências e descobertas.






Os alunos tinham algumas perguntas preparadas que o investigador convidado prontamente respondeu. Segundo disse, todos nascemos cientistas; um cientista é uma pessoa que quando não sabe alguma coisa vai à procura de respostas para as suas dúvidas. Tal como um bebé, quando nasce, não percebe a nossa linguagem, mas vai aprendendo, experimentado e interagindo com o mundo à sua volta. Começa por tirar partido das suas aptidões sensoriais, colocando tudo na boca. Depois, o bebé cresce e transforma-se numa criança que já fala e quer saber o porquê de tudo. Um cientista também é assim!

Algumas pessoas crescem e continuam cientistas, questionando os fenómenos à sua volta e mantendo a curiosidade pelo mundo. Outras pessoas vão-se interessando por outros temas e assuntos e perdendo a curiosidade pelas ciências, deixando de ser cientistas.

Ser cientista também significa que se tem de trabalhar em equipa e Pedro Brogueira falou aos alunos de algumas experiências em que participou com equipas internacionais. Atualmente, participa num projeto na Argentina que procura descobrir o que são os raios cósmicos. Também já trabalhou num outro projeto de onde saíram descobertas que permitiram fazer ciência e tecnologia para os nossos dias, como por exemplo, os écrans planos. Participou também na descoberta do bosão de Higgs no CERN, na Suiça.

Para que os pequenos cientistas compreendessem melhor que fenómenos estuda a física, o investigador realizou diversas experiências.

Começou por questionar o que é a luz e como viaja. Com um lazer e pó de giz de um apagador foi possível perceber que a luz viaja em linha reta. O pó criou partículas no ar, que reflectiram a luz, e que permitiram que esta chegasse até aos nossos olhos, ou seja, que o fenómeno se tornasse perceptível.




Na água a luz também viaja em linha reta e para que se conseguisse ver a sua trajetória, o investigador colocou algumas gotas de leite na água, de forma a aumentar o número de partículas existentes.




Quando a luz passa de um meio para outro (gasoso para líquido ou vice-versa) altera a sua trajetória e, quando se aponta num determinado ângulo em relação à superfície de separação dos dois meios, é possível como que “aprisionar” a luz dentro de água. A este fenómeno chama-se reflexão total da luz e é o que se passa no interior da fibra ótica.




A luz viaja em ziguezague na fibra ótica e, se aproximarmos as pontas podemos verificar que ela passa de uma para a outra.




Ainda sobre a luz o investigador continuou com mais experiências. Num gobelé, mergulhou uma palhinha na vertical e deslocou-a até à lateral. Para espanto dos participantes parecia que a palhinha tinha desaparecido, ou pelo menos, eles deixaram de a ver. Esta situação acontece quando a luz faz um determinado ângulo e não é refletida até aos nossos olhos; podemos dizer que a luz ficou aprisionada na água.




Fez também a experiência da moeda escondida, que consistia em esconder uma moeda debaixo de um copo transparente.

Os pequenos cientistas colocaram-se com os olhos ao nível do copo e desta forma conseguiam ver a moeda que estava por baixo do recipiente (copo). Quando o investigador encheu o copo com água os alunos deixaram de conseguir ver a moeda. Mais uma vez a luz fica aprisionada na água e não reflete até aos nossos olhos. Se olharmos de outro ângulo, por cima do recipiente já conseguimos ver a moeda.




Com dois tachos, plasticina e moedas fez outra experiência. Com ajuda da plasticina prendeu as moedas ao fundo do tacho. Posicionou os alunos no ponto em que deixavam de ver a moeda. Eles não conseguiam ver a moeda porque as paredes do tacho bloqueavam a luz que viaja em linha reta. Sem poderem sair do lugar, os intervenientes começaram a ver a moeda, à medida que se foram enchendo os tachos com água. Ao atravessar a água, a luz muda de direção e passa a chegar aos nossos olhos, por isso já a conseguimos ver. Com um laser mostrou a trajetória da luz, quando há passagem de um meio para outro.




Com umas lanternas cobertas com papel celofane de diferentes cores (vermelho, verde e azul) foi possível observar que quando misturamos estas luzes obtemos novas cores e que os resultados encontrados são distintos de quando misturamos tintas. Quando combinamos, por exemplo, a luz verde com a vermelha obtemos a luz amarela e ao sobrepormos as luzes verde, azul e vermelho obtemos a luz branca. O sistema de cores da Luz, chama-se RGB, R de red (vermelho), G de green (verde) e B de blue (azul) e são estas as cores primárias da luz das quais podemos obter todas as outras.

No final da sessão, ainda houve tempo para “dobrar” a luz através de uma montagem com um garrafão furado. A água quando sai faz uma curva e a luz como fica aprisionada na água pelo fenómeno de reflexão total acompanha o movimento curvo da água.



Escola Ciência Viva - Pavilhão do Conhecimento
EB de Sto António e EB Convento do Desagravo
10 de março de 2017


Para saber mais

Refração da Luz:
Como fazer uma fibra com o garrafão de água:
Saber porquê:
Adivinhas da ciência:



Voltar