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Tesouros da natureza
Encontro com o geólogo Mário Cachão

Mário Cachão veio até à Escola Ciência Viva para falar sobre “Tesouros da Natureza”. Explicou que um geólogo estuda o planeta Terra, o que inclui estudar rochas, minerais, fósseis, vulcões, etc.




Para os alunos, um geólogo estuda pedras. Quando questionados sobre a diferença entre uma rocha e uma pedra, os alunos responderam: o tamanho. Ou seja, para eles, uma pedra é mais pequena que uma rocha.

Mário Cachão explicou que uma pedra pode ser algo que encontramos na rua mas que não sabemos o que é, nem de onde veio. A partir do momento em que sabemos de que tipo é, quais são os minerais que a constituem e até podemos inferir a sua origem, já sabemos mais sobre esta pedra, deixou de ser uma qualquer, então já a podemos chamar de rocha.

Consigo trouxe baús cheios de “tesouros da natureza” que foi recolhendo ao longo do tempo.


Para que um objeto possa ser enquadrado na categoria de tesouros da natureza tem de obedecer a algumas regras:

    1 - Não podem ser comprados ou oferecidos;

    2 - Não podem implicar matar, cortar, ou arrancar (isto é danificar a natureza)

    3 - Têm de ser apanhados do chão , soltos (na praia, campo, jardim, serra, monte, floresta ou ribeiro)

    4 - Não devem ter partes moles que apodreçam.




Os tesouros da natureza encaixam-se em várias categorias:

    - Conchas ou carapaças
Existe uma biblioteca online onde pode ser consultada uma grande variedade de conchas!

    - Ossos, dentes, garras, e hastes
Constituem as partes duras dos animais que perduram no tempo, depois de tudo o resto desaparecer.

    - Sementes e frutificações
Como exemplos desta categoria o investigador mostrou uma pinha e um bugalho. O bugalho parece um fruto do carvalho mas, na realidade, resulta de uma reação à picada de um inseto (Cynips quercustozae). O inseto coloca um ovo que se desenvolve no interior do bugalho.

    - Fósseis
Fósseis de trilobites, amonites e de dentes de tubarão foram as escolhas do investigador para representar os tesouros desta categoria.

    - Minerais e cristais

    - Rochas



Explicou que as rochas também são memórias do planeta. Quando analisamos um tipo de rocha podemos perceber como foi, há muitos milhões de anos, o local onde a encontrámos. Por exemplo, um calcário com marcas de conchas é um exemplar de uma rocha que nos diz que, há muitos milhões de anos atrás, existiu naquele local um mar tropical.

A memória de um vulcão é, por exemplo, o basalto - rocha negra - formada por lava de um vulcão. Como exemplares trouxe consigo pedaços de lava do Havaí e da Islândia.

A memória de um rio pode ser representada por um arenito, rocha feita através da areia transportada pelo rio.

Como memória da montanha temos o granito. A maior parte dos granitos forma-se na base da montanha.

Depois desta apresentação, chegou a vez dos alunos identificarem, categorizarem e etiquetarem os seus próprios tesouros.


Explicou que, ao fazerem a etiqueta para o tesouro estão a dar importância científica ao objeto que no futuro pode ser estudado por outros.
Entre outras coisas, os alunos trouxeram: rochas, conchas, pinhas, minerais quartzos, calcites e fósseis.

São tesouros porque são coisas que gostamos e que a natureza nos ofereceu ou colocou à nossa disposição. E porque gostamos deles são memórias nossas e memórias da natureza.

Para tentar explicar aos alunos que as rochas são memórias muito antigas do Planeta e que a Terra já tem muitos milhões de anos, trouxe um basalto de quando existiam vulcões em Lisboa.




Para ilustrar o que são milhões de anos, Mário Cachão utilizou grãos de arroz. Explicou que cada grão representa um ano de vida...entregou os grãos de arroz equivalentes à idade de um dos alunos – 8 anos/8 grãos de arroz e a outro aluno entregou 9 grãos porque já tinha 9 anos.
Depois, mostrou uma pequena caixa com 100 grãos de arroz, ou seja, a quantidade que representa um século. Numa outra caixa tinha 1000 grãos de arroz, que correspondem a 1 milénio.


Os alunos ficaram surpreendidos quando viram um pacote de 1 kg de arroz, quantos anos estariam representados neste pacote?

Ficaram a saber que um pacote de arroz (1kg) equivale a 100 mil grãos, o que significa que para representar 1 milhão de anos necessitaríamos de 10 kg de arroz. Mais surpresos ficaram quando viram que o investigador trazia consigo 10 pacotes de arroz para representar 1 milhão de anos!


E para representar a idade do basalto (70 milhões de anos) quantos kg de arroz seriam necessários? Imaginem só, 700 kg de arroz!

Nós, os seres humanos, temos memórias de 1dia, uma semana, ou de alguns anos, mas o planeta Terra tem memórias com milhões de anos!


Escola Ciência Viva – Instituto Português do Mar e da Atmosfera
EB Santo Condestável e EB Eng.º Ressano Garcia
11 de Maio de 2017


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