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Com ou sem capacete?
Encontro com a neurocientista Maria José Diógenes

A investigadora Maria José Diógenes veio até à Escola Ciência Viva falar sobre a importância do cérebro e a necessidade de o protegermos bem.




Começou por explicar aos alunos que devido às importantes funções que o cérebro desempenha, tem que estar muito bem protegido e por isso, tem uma espécie de caixa – a caixa craniana – cheia de líquido - o líquido cefalorraquidiano.

Para ilustrar a importância deste líquido na proteção do cérebro fez a seguinte experiência:




Em duas caixas iguais com tampa, colocou um ovo inteiro no seu interior – o qual representava o cérebro. Numa das caixas preencheu quase todo o espaço à volta do ovo com água, que foi adicionando. Fechou as caixas e entregou-as a dois participantes, a quem pediu que saltassem com elas na mão durante 1 minuto. No fim deste tempo, pediu que retirassem a tampa e verificassem o que tinha acontecido a cada ovo. Na caixa sem água o ovo partiu-se, na outra o ovo estava intacto. Com esta experiência os alunos perceberam a função do líquido cefalorraquidiano na caixa craniana. Contudo, a investigadora frisou bem que esta proteção só é suficiente para o nosso dia a dia mas que, quando fazemos algumas atividades, como andar de bicicleta ou praticar desportos radicais devemos usar uma proteção extra: um capacete. O capacete é como uma segunda caixa para a nossa caixa craniana e pode evitar danos no cérebro, em caso de queda.

Continuou a sessão esclarecendo que todos os animais têm cérebro e que o tamanho do seu cérebro está relacionado com o tamanho do animal. Mostrou imagens de diferentes cérebros de animais e também de cérebros de ratinhos reais para que pudessem perceber a sua dimensão.




De seguida explicou que o cérebro está dividido em dois hemisférios e que cada hemisfério tem funções diferentes. Por esta razão, às vezes, parece que o cérebro nos engana. Para demonstrar o que estava a afirmar, submeteu os presentes a um exercício, no qual tinham que dizer as cores das palavras inscritas num quadro. Parece fácil mas não é, porque as palavras escritas correspondiam a nomes de cores, que não eram a cor em que a palavra estava escrita.

Segundo disse, o lado direito do cérebro tenta dizer a cor, mas o lado esquerdo insiste em ler a palavra, desencadeando um conflito interno. Como o cérebro é mais lento a dizer a cor do que a ler a palavra, sentimos algumas dificuldades em realizar o exercício pedido com sucesso.




O cérebro é arrumado, existem diferentes zonas que controlam diferentes capacidades do nosso corpo, como áreas ligadas à memória, à fala, à audição, à locomoção, entre outras.




E como é que os cientistas descobriram que o cérebro é assim? Com muitas experiências, mas também com alguns acidentes. Em tempos, depois de uma explosão, um senhor ficou com um ferro espetado no cérebro e não morreu. Antes do acidente, era uma pessoa muito simpática e afável e depois mudou completamente para se tornar uma pessoa antipática e antissocial. Com este acidente foi possível associar aquela zona do cérebro que foi afetada ao tipo de comportamento expresso.

No cérebro existe uma zona denominada hipocampo e que está relacionada com a aprendizagem e memória. Não pode ser analisada diretamente porque se encontra numa parte interior do cérebro. Percebeu-se que esta zona estava relacionada com a memória e aprendizagem quando uma criança teve um acidente e ficou com epilepsia. Para curar a epilepsia, a criança teve de ser operada e retiraram-lhe o hipocampo. A partir dessa altura deixou de conseguir aprender e memorizar coisas novas, embora mantivesse as memórias anteriores. Segundo afirmou, a doença de Alzheimer também resulta do envelhecimento do hipocampo.

E o que há dentro do nosso cérebro? Neurónios e células da Glia.

Para ilustrar a situação, mostrou imagens coradas e explicou que há corantes que se ligam a diferentes partes dos neurónios e que as células da Glia ajudam ao funcionamento dos neurónios.

De seguida, explicou que os neurónios comunicam entre si através de moléculas que se chamam neurotransmissores. A comunicação é muito importante… E, se se perderem neurónios, a informação não passa. Mas, também há outras situações que podem influenciar a comunicação: falta de neurotransmissores ou doenças, como a epilepsia, em que os neurónios comunicam ao mesmo tempo e descontroladamente.

Com os alunos presentes, a investigadora simulou a comunicação dos neurónios - os alunos tinham de apertar a mão do aluno seguinte – e todas as outras situações, nomeadamente, aquela que ocorre em doentes de epilepsia.




Como curiosidade ficaram a saber que temos 100 biliões de neurónios e que se os esticássemos todos teriam 1000 km de distância (distância equivalente de Lisboa a Barcelona).

Quase no final da sessão fomos surpreendidos pela visita da Sr.ª Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Lisboa, a Dr.ª Catarina Albergaria, que veio ao Pavilhão do Conhecimento conhecer de perto o projeto da Escola Ciência Viva.




Por fim, observaram os cérebros de carneiro e de alguns ratinhos e aproveitaram para fazer algumas perguntas à investigadora.



Escola Ciência Viva - Pavilhão do Conhecimento
EB B.º da Madre de Deus e EB Luíza Neto Jorge
17 de março de 2017


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