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Neurónios e mais neurónios!
Encontro com a neurocientista Maria Inês Vicente



Os alunos da Escola Ciência Viva foram até à fundação Champalimaud conhecer a neurocientista Maria Inês Vicente.


A investigadora começou a sessão respondendo às questões colocadas pelos pequenos cientistas, entre as quais se destacavam as dúvidas sobre se o tamanho do cérebro estava relacionado com a inteligência.

A investigadora esclareceu que o cérebro humano tem 86 mil milhões de neurónios que comunicam uns com os outros diretamente. Os neurónios têm uma espécie de braços (dendrites) e em cada braço existem milhões de “espinhas”. Segundo disse, estas projeções (pequenas protuberâncias - “espinhas”) também servem para comunicar com neurónios mais afastados. Assim, para além de um número tão grande de neurónios há uma grande complexidade. É a complexidade do cérebro e o número de ligações, que determinam que uma pessoa seja mais inteligente e rápida no raciocínio do que propriamente o tamanho do cérebro.




O trabalho de investigação da Maria consiste em saber como os ratinhos tomam decisões. Neste caso específico, do que dependem as suas escolhas alimentares.

Para que os alunos percebessem melhor o seu trabalho fez com eles um jogo sobre escolhas alimentares. Este jogo começou com uma pergunta: “Estão com fome?” De seguida distribuiu a cada participante um fio colorido (amarelo - com fome / vermelho - sem fome) que tinham que associar a um grupo de alimentos exposto. Com este exercício procurou criar um mapa das escolhas alimentares a partir das opções dos intervenientes.





De seguida, os pequenos cientistas descreveram os sinais que o seu corpo dá quando estão com fome, referindo: estômago vazio, dor de barriga, fraqueza, pensamentos de comida, a barriga roncar, entre outros.

Esclareceu que o nosso corpo dá este tipo de sinais porque existem uns sensores, uma espécie de “polícias” na nossa boca, estômago, sangue que detetam os níveis de nutrientes (proteínas, hidratos de carbono, etc.) essenciais no nosso corpo. São estes “polícias” que enviam mensagens ao cérebro para sabermos que precisamos de comer e o que nos está a fazer falta.

Experiências feitas na Fundação Champalimaud com moscas têm permitido compreender melhor como é que se processam essas escolhas alimentares.
As moscas têm a barriga quase transparente e é possível perceber o que elas comeram se o alimento estiver corado. Assim numa das experiências realizadas utilizaram moscas que estiveram 3 dias só a comer açúcares e que depois colocaram numa caixa de petri onde existiam dois tipos de alimento: alimento rico em proteínas que estava corado de azul e alimento rico em açúcares corado de vermelho. Com o auxílio de uma lupa foi possível observar a barriga das moscas e identificar o tipo de alimento ingerido. Explicou-nos que uma vez que estiveram 3 dias só a comer açúcares, os “polícias” detetaram que os níveis de proteínas eram muito baixos e por isso, normalmente, vão comer alimentos ricos em proteínas, ficando com a barriga azul.
No entanto esta experiência tem um problema, se as moscas comerem dos dois tipos de comida, a barriga fica roxa e os investigadores não conseguem saber as quantidades ingeridas. Por esta razão, inventaram um instrumento chamado flypad que permite medir a quantidade de alimento ingerida. O aparelho é de tal forma sensível que detecta cada vez que a mosca projeta a língua e regista a quantidade de alimento ingerida.


FlyPad


Os pequenos cientista ainda tiveram a oportunidade de observar algumas moscas com que se fazem as experiências. Os frascos onde elas estão têm comida feita com açúcar de fruta e ágar. A tampa do frasco é feita de um material esponjoso que permite a circulação de ar e a respiração das moscas. Dentro dos frascos os alunos conseguiram observar os diferentes estádios de desenvolvimento das moscas.




Dos ovos nascem larvas que estão o tempo todo na comida porque o seu objetivo é crescer. Depois passam para a fase de pupa (uma espécie de casulo) de onde depois sai uma mosca adulta.


http://www.sc.didaxis.pt/hereditariedade/drosophila.htm


Depois de ficarem a saber um bocadinho mais sobre o trabalho que se faz na fundação os alunos da Escola Ciência Viva foram conhecer os laboratórios que estão a ser montados para investigação clínica, os escritórios, os laboratórios onde se faz investigação em Neurociências e também o Teaching Lab onde os alunos de doutoramento podem aprender e desenhar as suas experiências.








Escola Ciência Viva – Fundação Champalimaud
EB n.º1 e EB S. Sebastião da Pedreira
10 de fevereiro de 2017






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