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Viagem à Antártida
Encontro com o geógrafo Alexandre Nieuwendam

Neste “Encontro com o Cientista” Alexandre Nieuwendam, geógrafo, levou-nos numa viagem à Antártida, sem sairmos do lugar.

Para preparar a viagem aprendemos onde se localizam as regiões polares e quais as diferenças entre elas. Seguidamente explicou-nos a importância de as estudarmos e o objetivo da nossa viagem: analisar o comportamento do permafrost (solo gelado) no estudo das alterações climáticas e respetivas consequências. Observámos os mapas das duas regiões polares e compreendemos que o Ártico é uma bacia oceânica congelada e a Antártida é um continente com gelo por cima. Este foi o ponto de partida para a experiência que realizámos: duas taças com água, uma com gelo dentro de água (a representar o Ártico) e outra com uma taça invertida dentro da água, coberta com gelo (a representar a Antártida). Em ambas as taças foi marcado o nível da água e deixámos para observar no final da sessão o comportamento do nível da água.




Retomando a nossa viagem, primeiro demos um pulo ao Ártico onde observámos a diferença das massas de gelo e verificámos que a zona gelada tinha recuado desde 1979. Falámos acerca das consequências que o recuo do gelo teria nos animais que o habitam.

De seguida viajámos até à Antártida, local onde o nosso cientista fez as suas investigações e que veio partilhar connosco. Observámos as diferentes paisagens da Criosfera (superfície terrestre gelada) que podemos encontrar como: glaciares, calotes de gelo, icebergs, neve, mar congelado e o permafrost. Uma informação que nos espantou foi a área que a Antártida ocupa: 13.6 milhões de km2. Para compreendermos este vasto território sobrepôs uma imagem do continente europeu sobre outra com a delimitação da Antártida e concluímos que é mesmo grande, superior à Europa. Com uma altitude máxima de 4.700 metros e 98% do território coberto por gelo é um continente extremamente seco e frio, em que temperatura mais baixa registada foi de 89ºC em Vostov, onde está uma base russa. Mas, para além de frio, é também muito ventoso em que se podem registar ventos de 320 km/h, sendo muito difícil de lá trabalhar. E é extraordinário que este continente detenha 90% do gelo mundial, estando os outros 10% distribuídos pelo restante planeta.




Com as alterações climáticas a temperatura do nosso planeta tem vindo a aumentar e, como consequência, temos vindo a observar as massas de gelo recuarem de ano para ano. Mas, ao contrário do que acontece noutras zonas, na Antártida, o mar gelado tem verificado um aumento de 1% por década. Isto pode dever-se ao facto de a Antártida estar coberta de gelo e a sua superfície refletir em 80 a 95% os raios do sol.

Outra curiosidade que aprendemos foi que este continente, devido ao peso da massa de gelo, está quase todo abaixo do nível da água do mar, com excepção de alguns picos montanhosos. Mas a Antártida nem sempre foi gelada, há 200 milhões de anos estava junta aos outros continentes – Gondwana – e quando se separaram, em consequência da deslocação das placas tectónicas, este continente ficou no sul substituindo as florestas por gelo.

O nosso cientista ainda estuda uma outra área, o Paleoclima de há 30 a 40 mil anos. A este propósito, contou-nos que na Serra da Estrela o clima já apresentava alterações antes o Homem existir. Então, será que a presença dos humanos altera o clima ou o ambiente? Na sua opinião, quando destruímos as florestas, responsáveis pela absorção do dióxido de carbono e libertação do oxigénio, até podemos acelerar as mudanças no clima mas estamos, principalmente, a destruir o ambiente. Ou seja, devemos sempre questionar independentemente dos resultados que obtemos, porque os resultados de hoje podem não ser os de amanhã. Esta será uma premissa para se ser um investigador; colocar questões!

O Alexandre Nieuwendam também nos revelou os preparativos que são necessários para uma investigação como esta, desde o embalamento das máquinas e material em contentores, até aos diferentes meios de transportes utilizados para chegar à Antártida. Mostrou-nos um vídeo de uma parte da travessia no estreito de Drake, em que o barulho e o mar eram assustadores. Com imagens a acompanhar mostrou-nos as bases dos diferentes países, as acomodações, alguma fauna como os líquenes e os musgos e ainda alguns animais como o pinguim, a foca, o leão-marinho e a baleia.




Como nos tinha explicado no início do encontro, a sua investigação na Antártida incide sobre o solo permanentemente gelado – o permafrost, e precisam saber onde está localizado, qual é a sua temperatura e se está a aquecer ou arrefecer. Explicou-nos a importância de saber estas informações, dado que neste solo gelado encontram-se armazenados gases como o metano e o dióxido de carbono, que, se o permafrost descongelar, são libertados para a atmosfera aumentando o efeito de estufa. Outra consequência que já tem vindo a acontecer é a destruição de estradas, edifícios e o aparecimento de buracos, em que o solo colapsa dado que ao descongelar deixa de ter firmeza suficiente e transforma-se em lama.

No final da sessão observámos a experiência que tínhamos deixado a acontecer e conseguimos compreender as consequências do aumento da temperatura do ar e consequente descida da dimensão e espessura do gelo, que resultaria no aumento do nível da água do mar. Ora, se quase 80% da população mundial vive em cidades junto às zonas costeiras, com o aumento do nível do mar, estas zonas ficariam inundadas e as pessoas teriam que se deslocar para o interior, para zonas de maior altitude.



Escola Ciência Viva - Pavilhão do Conhecimento
EB Caselas e EB Eurico Gonçalves
18 de novembro de 2016




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