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Golfinhos do Sado
Encontro com a bióloga Raquel Gaspar

Do fundo do mar, a investigadora Raquel Gaspar veio até à Escola Ciência Viva falar da sua experiência como investigadora e contar a história de um golfinho especial: o Asa.

Uma bióloga marinha, como a Raquel, estuda o que está dentro de água e para isso muitas vezes tem de fazer mergulho. No entanto, para se conseguir ver debaixo de água é necessário usar óculos de mergulho. Para o seu trabalho, a Raquel prefere fazer mergulho a baixa profundidade usando para isso um tubo para respirar. Mergulhar mais fundo implica usar uma garrafa de oxigénio e estar em água mais fria, o que para a investigadora é mais complicado.





Para explicar aos pequenos cientistas o seu trabalho começou por contar uma história que escreveu e que foi transformada em livro - Histórias dos Roazes do Sado

“Há muito tempo, quando os Romanos habitavam no nosso território, viveu aqui um menino chamado Liberius que mergulhava com os golfinhos… “

Liberius vivia na entrada do estuário do Sado, onde hoje é Tróia. Também Raquel mergulha com os golfinhos que vivem no estuário do Sado para os estudar.




Retirado: http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/gestao-biodiv/roazes-do-sado/resource/doc/rel-ac-obj3-3-1-7

Estudar os golfinhos no seu habitat natural não é tarefa fácil, nem sempre é possível mergulhar perto deles, ou seja, muito do trabalho é feito à distância... Assim sendo, como será que os cientistas conseguem saber quantos golfinhos são e identificá-los?

Os investigadores conseguem tirar fotografias da barbatana dorsal dos golfinhos e com ela desenhar um perfil. As barbatanas dorsais têm cortes característicos que resultam do contacto com outros golfinhos. Para comunicarem uns com os outros os golfinhos dão umas golpadas e mordidelas, deixando marcas nas barbatanas dorsais...Estas partem-se muito facilmente porque são feitas de cartilagem.
Esta técnica chama-se foto-identificação e, através dela, é possível contar e identificar cada individuo.



Retirado de: http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/gestao-biodiv/roazes-do-sado/populacao-sado#Identif-ind-roazes

Apesar de se conseguir identificar os indivíduos de uma população através da técnica mencionada, não é fácil determinar qual o sexo dos golfinhos porque é necessário observar o ventre. Quando os animais andam livres é difícil observar os golfinhos nesta posição e, para distinguir machos de fêmeas, temos que observar o ventre e verificar a distância entre as fendas genital e anal (a distância é maior nos machos).
Como podem perceber, a tarefa de identificação dos golfinhos não é fácil, mas é possível, sendo um pouco mais facilitada no caso das fêmeas que se fazem acompanhar de crias, pois estas ficam junto das mães cerca de 3 anos.



Retirado de: http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/gestao-biodiv/roazes-do-sado/resource/doc/rel-ac-obj3-3-1-7


Com a investigadora os alunos da ECV fizeram a foto-identificação dos golfinhos comparando uma ficha com o perfil das barbatanas e fotografias dos mesmos.




Conseguiram identificar os seguintes golfinhos:



Retirado de: http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/gestao-biodiv/roazes-do-sado/populacao-sado#Identif-ind-roazes


Para terminar esta sessão, a Raquel contou a história do golfinho Asa que um dia “voou”.


Há 17 anos, e em busca do seu alimento preferido, o Asa seguiu um grupo de chocos para uma zona muito estreita do rio, onde estes fazem a desova. Nesse dia, distraído com o alimento fácil, não se apercebeu que a maré estava a baixar e acabou por ficar encalhado.
Foi encontrado por pescadores que rapidamente chamaram ajuda para o salvar, tendo este sido levado por um helicóptero da força aérea para uma zona mais profunda do estuário.
Foi uma missão de salvamento muito arriscada e emotiva, que os alunos puderam ver em vídeo, ao mesmo tempo que a Raquel contava a história na primeira pessoa.






Como imagino o Cientista

Escola Ciência Viva - Pavilhão do Conhecimento
EB Padre Abel Varzim e EB Alta de Lisboa
22 de abril de 2016




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