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Viagem a Plutão e mais além...
Encontro com o astrofísico Pedro Lacerda

No âmbito de uma semana dedicada ao espaço, Pedro Lacerda investigador no Instituto Max Planck (Alemanha) levou os alunos da Escola Ciência Viva numa viagem aos confins do sistema solar.


Habitualmente quando se pensa num cientista imagina-se que este trabalha num laboratório e usa bata. Pedro Lacerda, apesar de ser cientista, explicou que não usa bata e que passa a maior parte do seu tempo a trabalhar num computador. Duas vezes por ano desloca-se do seu gabinete até um telescópio, por exemplo no Havaí, para fazer observações. Depois durante 6 meses analisa as imagens recolhidas.



Nesta viagem pelo sistema solar o investigador começou por explicar aos alunos que a força que mantém a Terra a girar em torno do Sol e a Lua em torno da Terra chama-se força da gravidade.



Slide da apresentação de Pedro Lacerda


Juntamente com os alunos nomeou os planetas do sistema solar até chegar a Plutão e as dúvidas começaram. Alguns alunos diziam que Plutão já não fazia parte do sistema solar, outros tinham dúvidas relativamente a que tipo de objeto se tratava: era ou não planeta?

Até 2006 também a comunidade científica tinha muitas dúvidas relativamente a Plutão. Na década de 90 David Jewitt e Jane Luu, após observacão do espaço através de um telescópio, descobriram que na cintura de Kuiper existiam outros pontinhos como Plutão e até aos dias de hoje já se contabilizaram mais de 1500 objetos semelhantes...


Para melhor compreensão dos alunos, Pedro Lacerda explicou que para um objeto ser considerado um planeta tem de obedecer a três requisitos:

  • O objeto tem de orbitar em torno do Sol;
  • Tem de ter uma forma redonda;
  • Tem de estar isolado na sua órbita - diferente das outras órbitas de outros objetos próximos - e ser o único e dominante na sua órbita.


Apesar de Plutão orbitar em torno do Sol e de ter uma forma redonda, não está isolado na sua órbita (Plutão faz parte de uma família de objetos que anda numa órbita conjunta) e, como tal, foi “despromovido” para planeta anão. Atualmente também já se sabe que Plutão é o maior dos objetos da cintura de Kuiper.



Slide da apresentação de Pedro Lacerda

A 19 janeiro de 2006 partiu uma sonda chamada New Horizons para Plutão ... Em 2007 passou em Júpiter e chegou a Plutão em 2015. O foguete que transportou a sonda foi o mais potente jamais construído e por isso demorou apenas 1 ano a chegar a Júpiter. A missão começou a ser preparada 10 anos antes do seu lançamento.
Depois da sonda ter passado em Plutão os investigadores tiveram acesso a imagens reais e a informação mais consistente sobre este objeto tão diferente. Pedro Lacerda partilhou com os presentes alguma dessa informação, muito recente e interessante, deixando-os admirados e maravilhados...



Slide da apresentação de Pedro Lacerda

Ficaram a saber que Plutão e a sua lua Caronte, por serem quase do mesmo tamanho, rodam à volta de um ponto de rotação que fica no meio dos dois.


As imagens também mostraram que Plutão tem uma área sem crateras, que parece que está coberta de neve (daí não se observarem as crateras).

Com esta missão foi possível aceder a informação desconhecida, que surpreendeu os investigadores, nomeadamente, que existem zonas do planeta com cores diversas (amarelas, vermelhas, brancas) e água, azoto e metano congelados. Em Plutão foram identificadas montanhas e vulcões que se supõe que expelem gelo (parecido com um granizado).



Slide da apresentação de Pedro Lacerda


A sonda conseguiu captar um eclipse do Sol e nessa imagem é possível ver uma zona azul que resulta da luz a atravessar a atmosfera de Plutão.



Slide da apresentação de Pedro Lacerda


A sonda passou a grande velocidade e vai continuar e explorar outras zonas ainda desconhecidas.

Apesar de Plutão e da cintura de Kupier estarem muito longe, já há alguma informação sobre alguns desses objetos. De vez enquanto, alguns desses objetos escapam-se e aproximam-se do Sol, esses objetos são os cometas.



Slide da apresentação de Pedro Lacerda

Por exemplo, conhecemos muito bem um cometa que foi estudado pela missão Rosetta que partiu em 2004 e chegou ao cometa 67P/C-G em 2014. A 12 de novembro de 2014 o módulo Philae pousou neste cometa.

O investigador trouxe consigo algumas imagens deste cometa e também fotografias de jatos onde se mostra a formação da cauda quando se aproxima do Sol. O cometa aquece e nessa altura saem jatos de vapor de água através de fossas que lá existem.

No final desta viagem espacial Pedro Lacerda fez questão de alertar os alunos para a problemática do lixo espacial que resulta das diversas missões espaciais.


Como imagino o Cientista

Escola Ciência Viva - Pavilhão do Conhecimento
EB Manuel Teixeira Gomes e EB S. João de Deus
13 de novembro de 2015




Para saber mais

Entrevista a Pedro Lacerda:



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