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A pegada ecológica
Encontro com a ecóloga Maria Amélia Martins-Loução

Maria Amélia Martins-Loução, professora catedrática aposentada da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigadora no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Globais (CE3C) veio até à Escola Ciência Viva para um "Encontro com o Cientista".






Começou por explicar o significado da palavra ecologia: “eco” tem origem no grego "oikos" e significa “casa” e “logia” vem de “logos”, que quer dizer “estudo”. O que significa que ecologia é o ”estudo da casa” dos seres vivos ou do lugar onde vivem, o que implica estudar também o planeta Terra e os seus ambientes.
Para melhor ilustrar esta ideia, a investigadora trouxe consigo um bolo mil-folhas que foi desmanchando e explicando que, para se ser ecólogo é preciso estudar as diferentes camadas de folhas... Na primeira camada, é necessário saber-se um pouco sobre meteorologia e sobre a geologia da Terra. Depois, é necessário saber como os organismos são influenciados pelo clima e também por outros organismos. E assim continuou até chegar à última camada de folhas, em que explicou que um ecólogo tem de compreender como se processam as relações entre as camadas anteriores.
É por isso que um ecólogo tem de trabalhar com uma equipa multidisciplinar, de forma perceber todas essas relações.

Um dos temas de investigação da cientista convidada é o uso do solo para o crescimento das plantas. Para ilustrar a importância de preservar o solo, a investigadora trouxe uma batata para representar o planeta Terra e dividiu-a em várias partes. Começou por dividi-la em 4 e explicou que, no nosso planeta, ¾ da superfície é água e colocou-as de lado. Pegou na parte restante (¼) que representa o que não é água e dividiu-a ao meio, explicando que ⅛ (metade de ¼) representa regiões montanhosas e geladas e que apenas o restante (o outro ⅛) é a porção habitável.

Esta porção foi ainda dividida em 4 partes iguais, sendo que:

    • 1 parte corresponde às cidades (⅟32)
    • 1 parte às zonas de montanha inóspitas (⅟32)
    • 1 parte às zonas encharcadas (⅟32)
    • 1 parte às zonas agrícolas (⅟32)
  • Ou seja, apenas ⅟32 do planeta Terra pode ser usado para agricultura. Se tirarmos a casca dessa porção de batata, temos aquilo que representa o solo, que é muito importante porque sustém a vida, mas é uma quantidade muito pequena.

    Explicou-nos que, com esta pequena porção de solo disponível e tendo em conta toda a população humana, é necessário criar estratégias para que o uso do solo seja mais eficiente e produtivo, para que seja possível produzir alimentos para todos.

    Disse-nos também que os fertilizantes foram a descoberta mais importante do século XX porque permitiram produzir mais alimentos e, sendo possível reduzir a fome no mundo, as pessoas ficaram menos suscetíveis a apanhar doenças. O que significa que a descoberta dos fertilizantes pode ter sido ainda mais importante que a descoberta das vacinas.
    Para esclarecer melhor esta questão, a investigadora mostrou um gráfico em que se percebia que, se não tivessem sido criados os fertilizantes, não havia forma de alimentar a população…

    O planeta Terra e a população humana têm pela frente dois grandes desafios:

    • Como é que nos vamos adaptar às alterações climáticas?

    • Como vai ser possível alimentar toda a população do mundo?


    O problema do azoto

    Há um composto químico muito importante chamado azoto (N), que existe na atmosfera, faz parte da constituição dos seres vivos, está sempre em movimento e existe em todo o lado: nos alimentos vegetais, na carne e no peixe, na emissão dos gases de transportes, nos plásticos , na produção de fibra sintética, nas emissões de lâmpadas, na agricultura e até nos brinquedos.
    Mas o azoto constitui um problema global porque as emissões de azoto são muitas e provocam alterações climáticas e contaminação da água com riscos para a saúde pública.

    Como responder a este problema? Responder a esta pergunta faz parte do trabalho de um ecólogo. Para perceberem como podem ajudar, os alunos viram um vídeo sobre a “pegada do azoto”.



    Todos devemos:

    • evitar o desperdício de alimentos
    • diversificar a alimentação
    • desligar as luzes
    • Andar a pé ou de bicicleta em vez de carro
    • Evitar acumular os brinquedos


  • “O que fazer para sustentar o planeta que nós estamos a comer?”




    Uma forma de contribuir para diminuir a nossa pegada ecológica passa por substituirmos na nossa alimentação o consumo de parte da carne por leguminosas. As leguminosas são uma fonte de proteínas muito importante e, para além disso, para a produção de 15 g de proteína de feijão há muito menor desperdício do que para produzir 15 g de carne de vaca. Por essa razão, em 2016 celebra-se o Ano Internacional das Leguminosas.
    Para terminar a sessão a investigadora pediu aos alunos que fizessem o calculo da sua pegada em azoto tendo em conta o seu estilo de vida.






    Escola Ciência Viva - Pavilhão do Conhecimento
    EB Sarah Afonso e EB Prof.ª Aida Vieira
    5 de fevereiro de 2016




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