No primeiro Encontro com o Cientista de 2016, os investigadores José Afonso e Hugo Messias, ambos astrofísicos, receberam-nos no Observatório Astronómico de Lisboa.
Com o investigador José Afonso os alunos puderam aprender mais sobre astronomia e como se faz investigação espacial. Esta sessão sobre o espaço realizou-se no que era antigamente um edifício onde os astrónomos moravam, porque o observatório estava longe do centro da cidade e na altura as viagens não eram tão fáceis como hoje em dia. O observatório já tem mais de 150 anos.
|
José Afonso começou a sua apresentação mostrando imagens de diferentes tipos de telescópios como o Hubble, um telescópio espacial que permite obter imagens com grande qualidade porque se encontra no espaço, onde não há nuvens que bloqueiam a visão.
Os telescópios que existem na Terra precisam de ser instalados longe das cidades e de grandes focos de luz e muitas vezes estão no meio do deserto.
Em certos momentos do trabalho de um astrónomo os investigadores têm de se dirigir até esses telescópios, que tiram fotografias dos astros ou da zona do céu que se pretende estudar. O restante trabalho consiste em analisar essas imagens.
Os alunos ficaram a saber que neste momento está a ser construído o maior telescópio espacial de sempre (o Telescópio Espacial James Webb), que deve ser enviado para o espaço em 2018. Quando ficar pronto, vai ser tão grande que, para conseguir caber no foguetão que o vai colocar no espaço, vai ter de ir dobrado.
Instrumentos como telescópios, sondas e robôs são os instrumentos que permitem aos cientistas ficarem a saber mais sobre o Sistema Solar.
O investigador mostrou ainda várias fotografias tiradas por uma sonda ao planeta Mercúrio, o mais próximo do Sol. Mercúrio tem muitas crateras porque não tem atmosfera que impeça a entrada de meteoritos e está sempre a ser bombardeado por rochas espaciais. Apesar de ser o mais próximo do Sol, Mercúrio não é o planeta mais quente.
José Afonso falou depois dos outros planetas do Sistema Solar.
Vénus é o planeta mais quente porque está coberto de nuvens de CO2 e de ácido sulfúrico e a sua atmosfera muito densa e pesada causa um efeito de estufa. Uma sonda conseguiu atravessar a atmosfera de Vénus e observar que na superfície existem muitas montanhas e vales criados por rios de ácido. A sonda que pousou no planeta conseguiu tirar e enviar algumas fotografias mas, ao fim de uns minutos, dissolveu-se.
Depois vem a Terra e a seguir temos Marte. Em Marte existe vapor de água que, quando se condensa, forma nuvens. Marte é o planeta onde existem mais robôs a estudar a sua superfície.
Júpiter é um planeta gasoso onde se vêem grandes tempestades (furacões), maiores que a Terra. Estas tempestades são muito difíceis de estudar e não se sabe como se formam, mas já se observam desde Galileu (que viveu há 400 anos).
Saturno é o planeta dos anéis, que são formados por fragmentos de rocha.
Úrano também tem anéis, muito mais pequenos, que só foram estudados depois de uma sonda ter sido enviada para este planeta.
Neptuno é um planeta azul e gelado.
Plutão faz parte do Sistema Solar, mas deixou de ser considerado um planeta e, tal como outros corpos de dimensões semelhantes, passou a ser classificado como um “planeta anão”.
O Sol é a única estrela do Sistema Solar. É gigantesco e a sua temperatura à superfície é de 6 mil graus e no interior de 1 milhão de graus.
Depois desta viagem ao sistema solar, José Afonso mostrou aos alunos um vídeo dos telescópios a observar o espaço.
|
Depois, com o investigador Hugo Messias, os alunos foram conhecer as instalações do observatório.
Era no Observatório Astronómico de Lisboa que se fazia a determinação da hora legal, que era enviada por telégrafo para os correios de todo o país.
No Cais do Sodré existia um balão que às 12 horas caía, permitindo às embarcações que estavam no rio acertar os seus relógios segundo a hora legal.
A entrada principal do Observatório vai dar a uma sala onde, no chão, se pode ver a rosa-dos-ventos, que fazia ligação a todas as alas do observatório. Nas diferentes alas do observatório faziam-se diferentes medições, desde a hora sideral à hora legal e também a medição da posição das estrelas.
Numa das salas que visitaram estava um telescópio e também algumas invenções do segundo diretor do Observatório, César Augusto Campos Rodrigues. Nessa sala existia também um instrumento que servia para medir o tempo de reação de um astrónomo e desta forma fazer as correções das suas observações feitas ao telescópio.
O telescópio está apoiado na rocha-mãe para garantir que não há trepidação e desta forma garantir o rigor das observações.
|
Existe um telescópio muito maior que está na cúpula do edifício, que pode rodar e pesa cerca de 30 toneladas. Apesar de não ter sido possível observar todo o Observatório, os pequenos cientistas saíram de lá satisfeitos e com muitas perguntas respondidas.
|