Gonçalo Vieira, investigador no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território - IGOT veio até à Escola Ciência Viva falar do seu trabalho na Antártida.
Começou por explicar que a Geografia é a ciência que estuda como se distribuem diferentes fenómenos na Terra. Os fenómenos podem ser o clima, o relevo, a vida animal ou a população, entre outros. O estudo dessa distribuição permite fazer previsões para o futuro e garantir a nossa sustentabilidade no futuro.
Gonçalo Vieira é um geógrafo físico que estuda as alterações climáticas sendo que parte da sua investigação é feita nos polos. Por esta razão, mostrou no globo terrestre a localização dos polos e falou das características que os distinguem.
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Mostrou imagens do mapa da Antártida que comparou com um sinal de pontuação, pois tem uma forma circular e uma pequena perna que se assemelham a uma vírgula. Em termos de tamanho, e considerando a mesma escala, disse-nos que na Antártida caberiam aproximadamente 150 mapas de Portugal ...
A Antártida é um continente gelado muito grande e muito frio, com temperaturas que podem atingir os 90 graus negativos.
Para se chegar à Antártida, vindos de Portugal, os cientistas têm de fazer uma longa viagem, com uma duração variável consoante as opções feitas. Geralmente, e porque é mais rápido, vão de avião até Madrid o que demora cerca de 1h. Em Madrid apanham outro avião que os leva a atravessar o Atlântico até Santiago do Chile (voo com duração de 13h). Novamente de avião, vão até Punta Arenas no Chile, que são mais 3h. Mas a parte que demora mais é ir de Punta Arenas até a Antártida. Uma viagem de barco até às estações de investigação pode demorar cerca de 5 a 6 dias, dependente das condições atmosféricas e do estado do mar. De avião são cerca de 4 horas, ou seja, no mínimo só em viagens demoram-se cerca de 23 horas.
Explicou que a sua equipa de investigação vai no verão porque tem interesse em estudar o solo congelado (permafrost) e se estivesse tudo coberto de neve seria muito difícil...
No entanto, mesmo no verão as temperaturas são baixas e é preciso usar roupa apropriada que é vestida por camadas. Usam por baixo uma espécie de collants, depois roupa térmica e por cima umas calças e casaco impermeáveis, para deixar sair o suor, mas não entrar água.
Na Antártida uma coisa que tem de se ter em consideração é a segurança porque o clima muda muito rapidamente. Para garantir a sua segurança os investigadores usam casacos com cores fortes de forma a destacá-los na neve, para além disso a cor também serve para identificar a que equipa (país) a que o investigador pertence (o casaco do programa polar português é verde pistachio).
Ao longo da sessão foi mostrando várias fotografias da sua expedição à Antártida, desde fotos de paisagens por onde passaram, trabalho de campo ou das bases de investigação até fotos da fauna local, que deixaram os alunos encantados.
![]() Fotografias de Gonçalo Vieira |
Para finalizar a sessão com chave de ouro, Gonçalo Vieira mostrou aos presentes um equipamento recente, que foi testado na sua última missão: um drone que usa para o trabalho de investigação e que permite fazer a cartografia da zona e contou uma peripécia ocorrida durante um lançamento. O drone é fácil de montar e tem vários equipamentos que lhe permitem aterrar sozinho e tirar fotos. Certo dia, onde estavam a fazer o lançamento estavam também a voar umas aves denominadas Skuas. Na altura do verão as Skuas têm as crias pequenas e são muito territoriais e protetoras atacando por vezes os investigadores. Em pleno voo do drone, e sem dar tempo de reação aos investigadores, uma skua deu uma bicada na asa do drone. Felizmente foi possível reparar o drone e terminar o trabalho com normalidade.
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No final da sessão os alunos ainda tiveram a oportunidade de fazer algumas perguntas ao investigador.
Como imagino o Cientista |