Numa semana dedicada ao espaço os alunos da Escola Ciência Viva conheceram o francês Jean-Jacques Favier, astronauta da Agência Espacial Francesa (CNES), que atualmente lidera o comité de coordenação científico da Universidade Internacional Espacial (ISU), em França.
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Jean-Jacques Favier participou em diversas experiências científicas espaciais, em colaboração com a ESA, NASA e a Agência Espacial Russa e veio à Escola Ciência Viva falar da sua experiência em 1996, a bordo do Vaivém Espacial Columbia da NASA, na missão STS-78. Nesta missão, a mais longa desta nave no espaço com a duração de 17 dias, desenvolveu experiências programadas relacionadas com física e com a fisiologia humana; o objetivo era preparar missões futuras e a possibilidade de permanecerem no espaço, a bordo de uma estação espacial, por períodos mais longos.
Aos presentes apresentou e comentou o vídeo da missão em que participou, descrevendo todos os pormenores de uma viagem espacial, desde a descolagem até à aterragem.
Para conseguir descolar e vencer a força da gravidade o vaivém espacial era lançado verticalmente. com a propulsão de três potentes motores e dois foguetes de combustível sólido. Para fornecer energia aos motores a nave tem um reservatório central externo contendo hidrogénio líquido e oxigénio líquido. Antes do veículo alcançar a órbita, os foguetes são ejetados caindo com paraquedas no Oceano Atlântico, de onde são recuperados para serem reaproveitados. O reservatório, que entretanto ficou vazio, também é libertado logo de seguida, sendo a única parte da estrutura que não é reciclada.
Toda esta propulsão, necessária à descolagem, provoca muita vibração no interior da nave, só diminuindo quando os foguetes são libertados. Esta enorme pressão a que os astronautas são sujeitos, por vezes, desencadeia vómitos e tonturas.
Explicou que quando se está a orbitar em volta da Terra não se sente a força da gravidade e por isso “flutua-se”...
Já em órbita, os astronautas podem tirar o fato espacial e começar as experiências. Os testes de fisiologia procuravam perceber como os músculos se comportam no espaço e durante toda a missão os astronautas serviram de cobaias realizando diversos exercícios físicos. No espaço, devido à ausência de gravidade, o sentido de orientação é completamente alterado porque se perdem as referências; deixamos de ter a noção de em cima ou em baixo... Algumas experiências serviram também para perceber o funcionamento do ouvido interno, órgão responsável pelo nosso equilíbrio.
Ao nível da Física fizeram experiências com líquidos e também com ligas metálicas. Os líquidos formam uma espécie de “bola” devido à existência de um tensão superficial. Por outro lado, o metal aquecido e arrefecido em microgravidade tem um comportamento diferente do que na Terra.
Para minimizar as consequências destas alterações do quotidiano os astronautas são submetidos a treinos muito intensos e rigorosos, para que conheçam bem as reações do seu organismo e possam adaptar-se com maior facilidade às variações sofridas.
Como curiosidade, Jean-Jacques Favier esclareceu que em 90 minutos o vaivém dava uma volta à Terra.
No final da apresentação os alunos ainda tiveram tempo de fazer algumas perguntas?
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