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Como funciona o cérebro?
Encontro com a neurocientista Ana Sebastião

No último dia da semana internacional do cérebro, a investigadora Ana Sebastião do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina de Lisboa veio até à Escola Ciência Viva falar desta temática.

Todos temos cérebro, todos os vertebrados têm cérebro... Mas será que animais mais pequenos e invertebrados também têm?

Animais como as minhocas têm uma estrutura parecida com o cérebro, um animal para se deslocar precisa de controlar o corpo... Todos os animais, mesmo os mais simples, têm de ter algo que permita controlar os seus movimentos.




O cérebro é muito importante e está muito protegido numa caixa muito bem fechada, chamada crânio.

Entre o crânio e o cérebro há um líquido que protege o cérebro…o líquido cefalorraquidiano!


Para ilustrar esta situação, trouxe duas caixas iguais, que representavam o crânio, cada uma com um ovo, que simbolizava o cérebro.

Para simular o líquido cefalorraquidiano, uma das caixas foi cheia com água e a outra não.

Fechadas as caixas, pediu a dois alunos que as agitassem com força e que descrevessem o que acontecia em cada uma delas.


Passado um tempo, verificaram que o ovo que estava na caixa onde havia água ficou intacto e que o outro partiu-se e espalhou o seu conteúdo no interior da caixa.


Este foi o mote para explicar que o nosso cérebro está protegido para o dia a dia normal, mas se andarmos de bicicleta será que o nosso cérebro está protegido contra uma queda?



É muito importante usar capacete e assim proteger o cérebro de coisas que o possam agredir…







O cérebro serve para muitas coisas desde controlar reações involuntárias, a movimentos coordenados, também serve para processos mais complexos como ler e identificar o mundo que nos rodeia. Sempre que aprendemos o nosso cérebro fica diferente…
Antes de aprendermos a ler, o exercício em baixo é relativamente fácil, basta dizer as cores que cada palavra tem. No entanto, depois de já sabermos ler, passa a haver um conflito entre o lado direito do cérebro, que tenta dizer a cor, e o lado esquerdo que insiste em ler a palavra.







Explicou-nos também que o cérebro é muito arrumado e que está dividido em duas metades; os hemisférios. A parte direita do nosso corpo é comandada pelo hemisfério esquerdo e a parte esquerda pelo hemisfério direito. E depois há zonas específicas de acordo com a função que desempenham.




Vemos com os olhos, mas é uma zona que fica na parte de trás do cérebro que interpreta a informação que vem dos olhos (zona da visão). Para interpretar a mensagem que chega dos ouvidos há outra zona especializada, posicionada lateralmente no cérebro e é assim para todas as diferentes funções; cada uma tem uma zona específica. A região frontal controla a lógica, o raciocínio e é o que nos diz que dia será amanhã sabendo o dia de hoje, como nos devemos comportar, entre outras coisas.

O cérebro é muito importante para comandar e também para vigiar se está tudo bem ... Por exemplo, se nos dói a barriga é porque chegou informação ao cérebro a dizer que algo está mal, nessa zona.

Se pudessemos observar o cérebro com lupas muito potentes iríamos descobrir que é constituído por muitas peças pequenas - os neurónios - que se ligam e que formam uma rede muito complexa que chega a todas as partes do nosso corpo. Há neurónios muito pequenos mas também há outros muito grandes, que vão desde a coluna até ao pé.

Os neurónios são as células mais importantes, todas têm uma zona que recebe informação e outra que transmite. Se conseguissemos ligar todas as células seguidas teríamos o comprimento equivalente a uma estrada de Lisboa a Barcelona (1000 km).

Para fazer circular a informação entre as diferentes partes do nosso corpo e o cérebro ou entre o cérebro e as diferentes partes do corpo ou o próprio cérebro existem ligações entre os diferentes neurónios, que recebem e transmitem a informação, como se fosse uma espécie de rede de estradas em que os carros circulam de um lado para o outro, a grande velocidade.
Os neurónios comunicam uns com os outros através de sinais de código químicos e elétricos.

Para que os alunos percebessem com funciona a comunicação dos neurónios fez um pequeno exercício: entregou umas massinhas aos alunos que estavam no início de cada fila e um cesto aos que estavam no fim. A um sinal, deveriam começar a passar as massinhas de mão em mão até chegarem ao último da sua fila que as recolhia no cesto.

As massinhas simbolizavam as moléculas com a informação, os alunos representavam os neurónios e o cesto, o cérebro.





Rapidamente perceberam que as massinhas (informações) não chegaram todas ao mesmo tempo e que algumas até se perderam pelo caminho, concluindo que há informação que vai por vias mais rápidas do que outras e também, em algumas situações, que se perdem alguns dados.
Com o avançar da idade os neurónios vão-se modificando e alguns perdem a velocidade ou mesmo alguma informação pelo caminho.

No final da apresentação os alunos ainda tinham algumas questões como por exemplo de que cor é o cérebro? E para responder a essa questão a investigadora trouxe consigo alguns cérebros de animais - de carneiro e de rato - para que os pudessem observar. Perceberam que o cérebro do rato é mais pequeno que o do carneiro e que tem menos vilosidades, no entanto, são da mesma cor.




Como imagino o Cientista

Escola Ciência Viva - Pavilhão do Conhecimento
EB Professora Aida Vieira e EB Santo Condestável
18 de março de 2016



Para saber mais
Viagem pelo cérebro


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